ladrilho + cimento queimado

Quando postei o flash da obra falando da resina no cimento queimado muita gente escreveu querendo saber mais. Então… segue mais um pouco sobre a dupla dinâmica: ladilho hidráulico + cimento queimado!
Minha sacada era toda revestida em pedra mineira. Tinha alguns problemas de caída de água (como as poças de águas ficarem há alguns metros dos ralos) e estava toda manchada (o que seria facilmente resolvido com uma lavagem com ácido). Como estava no quebra quebra da reforma entrei na onda do “já que”: já que estamos reformando e quebrando vamos dar um jeito na sacada também.
Dito e feito. Toda a pedra foi retirada com cuidado de não afetar a manta de impermeabilização da laje (Sim, porque a água infiltra e corre que é uma beleza. Imagine que depois de tudo pronto começo a ter reclamação de vazamento da vizinha de baixo? Não, não, não.Isto não serve somente para quem vive em apartamento: sobrados e construções sobre o solo direto também devem ter um cuidado extra de impermeabilização, ok?).
Então foi feito um contrapiso em cimento, respeitando as caídas de cada ralo para evitar as tais poças, e deixamos em um nível mais baixo o espaço para o tapete de ladrilhos hidráulicos. Feita a cura (secagem moderada, não deixando evaporar toda água rapidamente) do contrapiso partimos para o assentamento das peças de ladilho.
Os ladrilhos hidráulicos são peças feitas manualmente, uma a uma. Em geral, quando encomenda-se ladrilhos da mesma série, todos são feitos pela mesma pessoa para que a pressão da mão seja a mesma e todas as peças tenham uma “uniformidade” para que sejam assentadas em “junta seca” – sem espaço entre elas.
Como eu fiz um patchowrk de vários ladrilhos – na verdade, sobras de várias produções diferentes – as peças não eram assim tão uniformes e fizemos o assentamento deixando pequenas juntas. Usamos cimentocola convencional para assentar cada peça. Também usamos o martelo de borracha para finalizar o assentamento. Neste ponto, um cuidado adicional: não se pode pressionar muito as peças pois elas quebram com facilidade. Perdi um ladrilho lindo assim.
Terminado ao assentamento, segue mais um tempo para curar a massa dos ladrilhos assentados. Enquanto isto acontecia, os ladrilhos foram protegidos com um plástico bolha.
Tudo finalizado, vamos ao cimento queimado.
O grande “vilão” de qualquer estrutura com cimento é a água – recordando aí meus tempos de faculdade… A água facilita a mistura porém enfraquece a estrutura final quando evapora deixando caminhos livres para o interior do concreto/cimento.
No cimento queimado, por ser uma nata fininha de cimento, a grande quantidade de água traduz-se em fissuras (rachaduras) no resultado final. Ou seja, para ter um aspecto mais uniforme e perfeito do seu trabalho deve-se reduzir drasticamente a quantidade de água da mistura.
Como assim? Usando aditivos industrializados.
Aqui em casa eu usei um cimento polimérico que era vendido pela mesma fábrica dos ladrilhos hidráulicos – que permitia a escolha da cor. Este cimento usava pouquíssima água na mistura – quando tudo era colocado junto parecia na verdade uma areia – mas foi esta redução o segredo do acabamento perfeito do meu piso. A argamassa, a água e o aditivo eram mistirados com uma furadeira industrial e um batedor que meu pedreiro mandou fazer, pois é impossível fazer este tipo de massa manualmente.
Em um dia fizemos os rodapés e colamos as juntas de dilatação do piso com silicone.
As juntas são importantes também para diminuir a tensão interna do piso e, desta forma, diminuir as fissuras.
No dia seguinte passamos para a feitura do piso propriamente dito.
As parcelas de piso eram trabalhadas com cuidado, em camadas de mais ou menos 6 mm de espessura com a desempenadeira (na foto acima, na mão esquerda). Os acabamentos eram feitos com espátulas.
Entre 30 e 48 horas da aplicação de todo o cimento, pode-se lixá-lo para uniformizar e tirar eventuais manchas da desempenadeira. Isto também pode ser feito com uma enceradeira industrial em baixa rotação
Depois aguarda-se mais 5 a 8 dias para impermeabilizar todo ele com a resina acrílica. Mais dois dias de espera e pode-se encerar e utilizar o piso normalmente.
Não é um processo simples e rápido, mas vale pela beleza e facilidade de manutenção. Há a possibilidade de fazer o cimento queimado manualmente (com mais água) mas aí segue um cuidado extra na cura do piso (secagem). Também há a possibilidade de colorir o piso usando pó de mármore (para ficra branco) ou pó xadrez (para outras cores).
Beijocas!

Flávia Ferrari

Engenheira E “dona de casa profissional” Abandonou uma carreira executiva para dedicar-se à maternidade e à vida doméstica e percebeu que havia um hiato de conhecimento sobre o tema. Começou a registrar todas as suas descobertas em seu site, FLÁVIA FERRARI, que gerou vários desdobramentos: revistas e programas de TV aberta e fechada. Sua mais nova empreitada é o canal A Dica do Dia no YouTube, onde posta vídeos com pequenas dicas domésticas todas às terças e quintas.
Flávia Ferrari

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