conchas

Hoje termina o período de férias escolares dos pequenos e eu me pego divagando sobre a fugacidade da vida. É chavão dizer que o tempo passa depressa, mas quando se tem filhos tem-se um marcador claro e dinâmico da velocidade do tempo.
Meus filhos são independentes, cada um ao seu modo, e eu admiro e me encanto diariamente com sua independência.
E dentre tantas coisas especiais que eles nos trouxeram nesta vida (posso falar no plural, pois maridex também compartilha isto comigo) nossos filhos nos trouxeram amigos.
Amigos especiais e divertidos, pais dos amigos de nossos filhos que foram incorporados ao nosso círculo de amizade.
Estes amigos são presentes de nossos filhos que a vida nos deu.
Nesta temporada de férias, em especial, foram estes amigos que nos acolheram com hospitalidade e grande generosidade.
Eles transformaram este período antes desplanejado em férias memoráveis. 
Uma parte destas férias foi passada na casa de praia de um destes casal de amigos.
E foi lá que exercitei junto da pequena um dos meus maiores prazeres: recolher conchinhas na praia.
Não sei se gosto tanto disto por ter uma memória afetiva (lembro bem de, quando pequena, todo ano recolher conchas com meu pai e minha mãe e depois transformá-las em pulserinhas…) ou por ser uma atividade de contemplação e descoberta descompromissada.
O fato é que sempre que escapo para a praia procuro pegar a pequena para “catar umas conchas” por aí…
Eu sempre acabo procurando as “conchas perfeitas”: lindas, sem nenhum pedaço quebrado, às vezes ainda em duplas,… 
Este tipo, aparentemente, era o único que meu olhar enxergava.
A pequena, pelo contrário, olha e recolhe toda sorte de conchas: minúsculas, caquinhos, com furos, lascadas,… 
Tudo para ela é novidade e encantamento.
Esta postura, esta alegria, abriu meus olhos para aprender.
Aprender a enxergar a beleza em tudo, e em todos.
Aprender que mesmo uma concha furada pode ser linda e encantadora – e com ela podemos voar longe em nossa imaginação.
Aprender que os seres humanos são como as conchas: não somos todos 100% perfeitos. 
Todos temos um lascadinho, um caquinho deixado por aí, mas esta diversidade que torna nossa vida tão rica.
Eu saí a procura de conchas para relembrar meu passado.
Encontrei o futuro pela delicadeza de minha filha.
Aprendi com ela. 
Ganhei uma nova perspectiva.
Coloquei meus filhos na escola para que eles tivessem amigos.
Mas quem ganhou mais amigos fui eu.
E o ciclo, assim, continua.
E muito obrigada por ser assim, sempre aprendendo.
Pequenos,
que vocês tenham um ano escolar tão rico quanto tudo o que vocês me oferecem nesta vida.
Amo vocês,
Mamãe.
PS: eu procuro sempre guardar as conchas em uns vidros à nossa vista – além de ficarem lindas, trazem ótimas recordações

Flávia Ferrari

Engenheira E “dona de casa profissional” Abandonou uma carreira executiva para dedicar-se à maternidade e à vida doméstica e percebeu que havia um hiato de conhecimento sobre o tema. Começou a registrar todas as suas descobertas em seu site, FLÁVIA FERRARI, que gerou vários desdobramentos: revistas e programas de TV aberta e fechada. Sua mais nova empreitada é o canal A Dica do Dia no YouTube, onde posta vídeos com pequenas dicas domésticas todas às terças e quintas.
Flávia Ferrari

VOCÊ TAMBÉM VAI GOSTAR DE

  • dois em umdois em um Muita gente me pergunta: como acomodar duas crianças, de sexos diferentes em um mesmo […]
  • era uma casa….era uma casa…. ... feita de lego pelo pequeno...... tinha irmã e irmão brincando....... e pai e mãe se […]
  • boa pedida para o feriadoboa pedida para o feriado   Já tinha falado  (e feito) sobre xilogravuras com as crianças há algum […]