[CRÔNICAS DA CASA]

a flor da lança de são jorge – e algo sobre a vida


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Há algumas semanas eu ganhei da Cris dois vasos grandes, repletos de lanças de São Jorge (Sansevieria cylindrica). Ela iria se desfazer das plantas por considerar suas extremidades afiadas perigosas para seus filhos pequenos. Perguntou, bem por acaso, se eu queria os vasos e eu aceitei de muito bom grado.

Queria lanças de São Jorge há muito tempo aqui em casa e na casa de campo – mas sempre freava minha compra por nunca achar um bom negócio pelas mudas, sempre achei que estavam me cobrando muito caro por elas.

Ao final, vejam que boa sacada do destino: a Cris desvencilhou-se das plantas e eu fiquei muito feliz com minhas mudas.

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Tenho muitos planos para os dois vasos – vou desmembra-los em vários outros e alegar minhas casas. Como “brinde” – ou seria mais uma feliz coincidência – um dos vasos veio com uma flor que se abriu há dois dias. Perdi a oportunidade de fotografá-la no auge da sua beleza, com as mini flores parecendo vários floquinhos de neve caindo e celebrando o Natal.

Em teoria, as flores da lança de são Jorge não tem valor paisagístico. Mas me fizeram pensar muito a respeito das flores, e da nossa vida.

  • Não existe certo e errado nesta vida. Existe o que serve para você e o que não serve. As plantas são lindas, mas não estavam de acordo com a dinâmica da casa da Cris. Por aqui, elas eram muito esperadas;
  • Não se apegue ao que lhe faz sofrer, nem ao que lhe entristece. Todos os dias há belezas esperando por você, mesmo que elas não tenham “valor paisagístico”
  • Quando escrevo postagens como estas, muita gente torce o nariz. Mas elas me são necessárias, me fazem humana, me fazem rir e chorar – e, no fundo, no fundo, me fazem viver. Eu acredito (e pratico) que a decoração da casa é uma decoração de vida – que  o que acontece em minha casa é muito mais do que uma dinâmica de enfileirar móveis e objetos bonitos e harmônicos.  Já passei por muita tristeza, já tive fases em que só o que eu queria era me afogar na minha própria fossa. Aprendi a duras penas – e tento me lembrar disto diariamente – que não vale escrever “na pedra” as nossas infelicidades porque quando formos reler o que estava escrito sofreremos novamente. A vida é nossa, e nós vivemos e a guiamos da forma que nos convier. Postagens assim, que me fazem refletir sobre a vida são da minha essência e da minha natureza – e aqui é o lugar de honra delas.

E vamos deixar florescer o que há de melhor em nós.

Sem maniqueísmo, sem julgamento, sem rancor.

Vamos nos ater só a uma coisa: amor.

Beijo grande

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