uma arte perdida

Tudo anda tão automatizado, que as pequenas coisas, os pequenos detalhes, aqueles espaçozinhos onde o toque humano entra, estão esvaecendo pouco a pouco. 
Nesta época do ano temos um bom exemplo disso: quando foi a última vez que você recebeu um cartão de Natal com uma mensagem linda, toda escrita à mão, escrita para você e sua família, escrita por uma pessoa que tem carinho por você e quis te fazer este agrado? Ou quando foi a última vez que você comprou um cartão de Natal em branco e escreveu uma mensagem personalizada, pensando na pessoa que o receberia? 
Quando eu era criança, e até no começo da adolescência, ainda se viam mais desses cartões por aí. Mas então veio a internet e os cartões passaram a ser enviados online – que, na época, era uma novidade. Mas, assim como a maioria dos cartões impressos, a mensagem dos cartões online já vinha pronta, você apenas acrescentava uma ou duas linhas, assinava e clicava em enviar. 
Isso sem falar dos “cartões de Natal corporativos”, todos impressos aos quilos, com uma mensagem engessada e onde os destinatários se diferenciam apenas nas etiquetas de endereçamento. Poxa, se for assim, é melhor economizar papel, tinta e selos e não enviar nada! A maioria joga fora estes cartões mesmo, alguns sem mesmo se dar ao trabalho de abri-los! 
Segundo o site How Stuff Works, esse costume de escrever e trocar cartões de Natal surgiu no século XIX, mais precisamente em 1843, quando o britânico Henry Colé encomendou em uma gráfica a impressão de cartões para felicitar seus amigos, pois não tinha tempo para escrever pessoalmente a cada um deles (Veja isso, já em 1843 ele não tinha cinco minutos para dispensar a escrever para um amigo! Que faria ele nos tempos de hoje?). A partir dessa época, o costume de enviar cartões de Boas Festas estendeu-se por toda a Europa, e a partir de 1870 começaram a ser impressos em cores. 
Será que não poderíamos usar os minutos que passamos escolhendo um cartão com uma imagem e uma mensagem bonita para escrever algumas linhas de próprio punho para quem enviaremos o cartão? Será que seu amigo não iria se surpreender ao encontrar um envelope escrito à mão dentre a pilha de contas, panfletos e outros papéis enviados automaticamente? Será que aquela pessoa querida não iria se sentir ainda mais querida ao ler sua mensagem ESCRITA ESPECIALMENTE PARA ELA? 
Nem precisa ser uma mensagem longa, bastam duas ou três linhas para que seu cartão de Natal leve carinho para alguém, além dos desejos de boas festas.
Por Érica Fernandes

Érica Fernandes

Érica Fernandes é jornalista e tradutora freelancer, e trabalha com mídias sociais. Tem verdadeira adoração por cães e livros. Fale com a Érica: espacoembranco@gmail.com

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