experiência é tudo – terceira e última parte

Meninas,
obrigada pela força e boa energia.
Foi esta boa onda enviada que certamente me guiou até a solução.
Ontem comentei que iria a outro ortopedista, indicado pelo pediatra da pequena.
Era um senhor atlético, alto, loiro, de olhos azuis. Típico senhor alemão.
Chegou conversando animado com minha filha, tentando conquistá-la.
Contei toda a história do occorido em detalhes.
Ele me fez uma única pergunta: “E o meu colega do plantonista do hospital colocou o braço dela no lugar?”
Minha resposta: “Não…”
Pediu para tirarmos a tipóia – o que foi feito com muito choro.
(Só para ilustrar a situação de desespero da minha filha, antes de sairmos ela tinha perguntado se poderia ficar com a mesma camiseta até ela melhorar, porque ela não queria de modo algum tirar mais a tipóia por causa da dor.)
Ele a pega pela mão e começa a mexer no braço, várias vezes.
Mais choro, mais choro. Estou perto, abraçando o quanto eu posso.
O médico para.
E fala: “Agora nós vamos radiografar para ver como está. A senhora não se preocupe, pois vou tirar dos dois braços para ter o bom como controle”
Ok.
Descemos até o raio x.
Radiografamos.
Subimos.
Verificamos.
Tudo em ordem.
O que o dr. diz: “O braço dela estava fora do lugar. Quando fui mexendo fui colocando de volta. Assim que ouvi um “clec” parei. Agora está tudo bem. Para sabermos quando uma criança está bem temos que estimulá-la a pegar coisas com a mão que estava ruim. Vamos lá”
E surge uma caixa de marcadores luminosos, linda.
Ele chama minha pequena e a convida a pegar os marcadores e dizer as cores deles.
Ela vai.
Pega com a mãozinha e os levanta.
Fala as cores sorrindo.
Uma por uma.
E vamos embora.
Felizes.
Comemos chocolate!
Coloquei a tipóia na bolsa – e de lá, para o meu “armário de remédios”.
Saí do consultório muito feliz. Toda aquela tristeza da terça-feira tinha se transformado em felicidade.
Ou melhor, quase toda, pois sobrou um pouquinho de culpa. (Como diz meu pediatra: “mãe já nasce com culpa”)
Culpa por ter deixado minha filha dois dias amarrada na tipóia sem necessidade.
De ter dormido com dor e gritado muito para tomar banho ou trocar de roupas.
Na verdade, minha culpa mora em não ter visto que a solução estava no mais simples. Naquela simplicidade que sempre falo por aqui e que neste episódio passou batido.
No hospital foi aventado fazer até uma ressonância magnética na menina. Detalhe: para isto ser feito em uma menina de 3 anos, ela deveria tomar uma anestesia geral, pois não é factível de outra forma que uma criança desta idade fique 40 minutos no tubo sem se mexer.
Não levo a mal o médico do hospital que a examinou.
Apenas acho que ele foi contaminado pelo excesso de tecnologia e deixou passar alguns fundamentos básicos da medicina.
Aqueles que eram praticados quando não tínhamos ressonâncias, nem PETScan, nem cintilografias…
Mas foi.
Passou.
Ainda bem que passou.
Novamente, vou me lembrar de olhar a vida com olhos mais simples.
Sempre e para tudo.
Obrigada novamente meninas pelo carinho e suporte.
Obrigada dr. P. pela indicação.
Obrigada dr. H. pela colocação.
Obrigada pequena por ser como você é.
Obrigada meu Deus por sempre me guiar pela mão.
Obrigada minha Mãe por me cobrir com seu manto.
Amanhã voltaremos à decorar a casa.
Mas não há casa decorada se não há de coração.
Um beijo grande.

Flávia Ferrari

Engenheira E “dona de casa profissional” Abandonou uma carreira executiva para dedicar-se à maternidade e à vida doméstica e percebeu que havia um hiato de conhecimento sobre o tema. Começou a registrar todas as suas descobertas em seu site, FLÁVIA FERRARI, que gerou vários desdobramentos: revistas e programas de TV aberta e fechada. Sua mais nova empreitada é o canal A Dica do Dia no YouTube, onde posta vídeos com pequenas dicas domésticas todas às terças e quintas.
Flávia Ferrari

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